Olá,
Sou Lucas Oliva Bertolozzi, mais conhecido como Reverendo Lucas.
Sou filho de italianos e herdeiro de uma ancestralidade marcada por uma profunda convergência espiritual: de um lado, católicos fervorosos; de outro, a tradição popular italiana da Stregheria, uma espiritualidade ancestral ligada à natureza, às ervas, à devoção a Mãe Divina, ao cuidado comunitário e à sabedoria transmitida de geração em geração. Essa herança, ao mesmo tempo, cristã e ancestral, sempre orientou meu olhar para o sagrado como algo vivo, cotidiano e profundamente humano.
Desde muito cedo minha vida foi atravessada pela experiência espiritual. Aos sete para oito anos, servi como coroinha na Catedral da Sé, bem como no icônico Mosteiro da Luz, construído por Frei Galvão (o primeiro santo brasileiro), em São Paulo, nos áureos tempos de Dom Paulo Evaristo Arns, período em que já aspirava intimamente ao sacerdócio. Esse chamado amadureceu ao longo dos anos e despertou também meu desejo pela vida monástica beneditina, que se aprofundou durante meus estudos no Colégio de São Bento de São Paulo e na convivência com a espiritualidade do “ora te labora” (oração e trabalho), bem como do silêncio e da estabilidade interior.
Atuei nas principais editoras religiosas do país, como Paulus, Paulinas e Ave-Maria, experiência essa que consolidou a minha formação teológica, pastoral e humanista. Além de teólogo e psicanalista clínico, sou sacerdote da tradição anglicana continuante (atual Bispo territorial da Fraternidade Beneditina da Luz Infinita), o que me permitiu conciliar a vida sacerdotal com uma maior possibilidade de contextualização com os novos tempos, inclusive o fato de ser sacerdote e pai de família. Com mais de duas décadas de ministério, consolidado sobretudo na capelania em diversos asilos e hospitais, no estabelecimento de diversas comunidades (Missão de Jesus Alegria dos Homens, Oratório de São Miguel Arcanjo, Capela de Nossa Senhora da cura, Capela de Nossa Senhora das Almas, Pastoral Anglicana do Caminho Sagrado, essa voltada ao amparo e integração com os mais diversos povos originários) e na celebração de casamentos, esse ministério acabou sendo reconhecido justamente na celebração de casamentos celebradas de maneira única, onde a beleza da liturgia acaba por dialogar diretamente com a identidade de cada casal, com a sua história e personalidade, fazendo com que cada anúncio do amor, seja uma verdadeira experiência.
Paralelamente ao sacerdócio, sou oraculista de quarta geração, herdeiro de uma tradição familiar transmitida com seriedade, ética e responsabilidade. Meu trabalho oracular se distingue por integrar, de forma única e assertiva, os métodos simbólicos e espirituais do oráculo com a psicanálise clínica, oferecendo um atendimento profundo, consciente e estruturado, que respeita tanto o mistério quanto a saúde psíquica do ser humano.
E justamente após o marco decisivo da minha vida, que ocorreu em 2009, com o falecimento precoce de meu pai, Walter Bertolozzi, aos 52 anos, no Dia de Finados, uma série de fenômenos parapsíquicos e espirituais começou a se manifestar de forma clara e consistente. Diante deles, percebi que a leitura puramente dogmática já não era suficiente para compreender, viver e, sobretudo, servir aquilo que se apresentava. Foi nesse contexto que a universalidade espiritual deixou de ser apenas um interesse e se revelou como um caminho legítimo.
Essa abertura me conduziu a uma jornada transreligiosa responsável e iniciática além da própria arte oracular. Recebi ensinamentos, transmissões e segredos espirituais do povo cigano Kalon e de povos indígenas como Wassu Cocal, Pataxó, Tupi, Kalapalo, Pankararu e Fulni-ô, cujas cosmologias aprofundaram minha compreensão sobre ancestralidade, espírito e cura. Fui iniciado no Budismo Vajrayāna tibetano (linhagem Kagyu), no Budismo japonês Jōdo-Shū (Terra Pura), no Kaula Dharma, na Kriyā Yoga, entre outras vias tradicionais, sempre com o compromisso de integrar e jamais fragmentar o conhecimento espiritual.
Por isso mesmo, acabei me formando em outras especializações terapêuticas, tais como a de terapeuta xamânico, bioterapeuta, bem como em sistemas como Reiki Usui, Ama-Deus, Dolphin Reiki, Mãos de Cristo, Reiki dos Anjos, Reiki Tibetano… O que me permitiu desenvolver métodos terapêuticos próprios, como o Magen Reiki (Reiki do Arcanjo Miguel), o Nhamandu Healing (técnica xamânica de imposição de mãos) e o Ba’Ma Healing, um método terapêutico integral que nasce da convergência entre saberes ancestrais, espirituais e clínicos.
Dessa trajetória feita de fé, ancestralidade, estudo, iniciação, dor, escuta e serviço e a ousadia de transcender as fronteiras dos dogmas e instituições, nasceu o Babammam Margah, o eixo central da nossa espiritualidade…
Babammam Margah, do sânscrito significa algo como “o caminho espiritual do Pai-Mãe” e é uma via de reconciliação entre espírito e matéria, religião e consciência, tradição e liberdade, onde todas as práticas existem para servir ao essencial: O cuidado integral da alma humana.

Exatamente por isso, ainda como atual Abade da Fraternidade Beneditina da Luz Infinita, estabeleci a Casa das Almas: Um espaço de acolhimento, cuidado e presença. A Casa das Almas não é um templo fechado, mas um lugar vivo, onde a espiritualidade acontece acima das fronteiras da religião. Ali se expressam a caridade, o atendimento terapêutico e espiritual, as celebrações, os encontros e os workshops que promovem diálogo, troca e convergência entre diferentes tradições, filosofias e crenças.
Seja no altar, no consultório, no oráculo ou na escuta espiritual, a motivação é gerada por um princípio simples e profundo: cuidar do humano antes de definir caminhos, e viver a espiritualidade antes de representá-la.
Se você chegou até aqui, saiba que este é um espaço de verdade, acolhimento e profundidade.
Paz, Amor e Bem.